Universidade e sociedade: o papel das instituições na construção do novo normal

De repente, tivemos nossa rotina toda transformada. No lugar de correria na rua, engarrafamentos e salas de aula lotadas, passamos a organizar o dia a dia dentro de casa e a nos exigir persistência para manter as obrigações com estudos e trabalho.
Conexões se transformaram, deixando mais evidente a necessidade de praticar humanidade. Nisso, a relação entre universidade e sociedade se tornou ainda mais significativa.
É que a pandemia do novo coronavírus atingiu, também, a educação. Com aulas, professores, metodologias, alunos e tecnologias adaptados, agora temos o que muitos chamam de “novo normal”. E qual será o papel das instituições de ensino nessa mudança?
Conversamos com Beatriz Balena, reitora da UVA e doutora em Sociologia e Educação, que nos ajudou a entender melhor como universidade e sociedade se conectam nesse novo momento.
É só continuar a leitura!

O QUE PODEMOS ESPERAR DO NOVO NORMAL?

Todos já percebemos: educação virtualizada, menos contato físico, uso de equipamentos de proteção, maior investimento em tecnologia e solidariedade. A realidade caótica nos forçou a adaptações. Contudo, até que ponto essas mudanças têm se mostrado insatisfatórias ou inesperadas? Será que apenas não anteciparam parte do que já aconteceria?
Beatriz Balena, reitora da UVA, considera que elas trouxeram uma percepção mais ampla sobre o ensino e sobre como ele pode sobrevir: “percebemos, nessa virada, que existem muitas formas para a educação e a aprendizagem acontecerem, que não necessitam da presencialidade. Aliás, a falta dela fez as pessoas utilizarem muito mais seus aportes criativos, solidários e empáticos”.
Para ela, online e offline se unirão ainda mais. “As fronteiras entre presencial e online, nas salas de aulas, se dissiparão a cada momento. As aulas presenciais terão mais virtualidade e, também, será possível levar mais presencialidade às aulas virtuais.”
A reitora Beatriz acredita que os cursos nunca mais serão iguais, com muitas pessoas na sala. “Isso já era esperado. A diferença é que vivemos, agora, uma aceleração do que aconteceria em três anos”, diz.
Contudo, para que essa nova forma de aprendizagem tenha qualidade, é preciso se preparar. “Até o fim do ano, ainda experimentaremos aulas mais virtualizadas. Porém, será necessário um aperfeiçoamento desse letramento digital, tanto da parte dos professores quanto dos estudantes. Um exemplo é a necessidade de criar ambientes mais propícios em casa.”
Para a reitora e doutora, no entanto, vale uma reflexão sobre chamar esse momento de novo normal: “o que vinha acontecendo antes não era normal. Não é normal alguém perder duas horas no trânsito ou ter medo de ir até à esquina. O normal é uma vida boa, digna e feliz. O que estamos vivendo é um ‘novo anormal’ ou um ‘nunca normal’”.

COMO UNIVERSIDADE E SOCIEDADE SE RELACIONAM COM ESSAS MUDANÇAS?

A metodologia 100% presencial e que torna o aluno totalmente passivo na sala de aula está com os dias contados. Mais do que nunca, as pessoas estão se dando conta de que lógicas até então aceitas já não fazem tanto sentido.
No pós-pandemia, haverá menos contato físico e a tecnologia será mais importante do que nunca. Ao mesmo tempo, as relações não serão afastadas. A interação humana sempre será fundamental.
Um dos primeiros passos é a instituição buscar a adaptação e ter outro olhar para a Pedagogia. Além das aulas, também entender mais sobre o vestibular online. É preciso ter em mente que o ensino digital não será apenas algo momentâneo, até a pandemia passar.
Com isso, é inevitável a universidade mudar sua cultura, adotar inovações e tecnologias, investir no treinamento de professores e auxiliar os alunos. Eles precisarão aceitar que boa parte da aprendizagem também é responsabilidade deles e, para isso, precisarão de maturidade e autonomia para fazer dar certo.
A reitora Beatriz Balena também menciona a responsabilidade social como um elo entre universidade e sociedade. “Nós temos concessão estatal para fazer a formação do mercado. É preciso levar a sério. Isso compreende, ainda, a inclusão social e a de pessoas com necessidades especiais. É preciso, por exemplo, contemplar bolsas.”
FIES e Prouni são só o começo para garantir isso. Facilidades em financiamentos e descontos nas mensalidades também deverão fazer parte.

O QUE A UVA ESTÁ FAZENDO PARA TORNAR ISSO REALIDADE?

A reitora deixa claro que a UVA já estava inserida no digital, muito antes da pandemia começar. Ela também nos conta sobre algumas ações da universidade para encarar o momento com mais naturalidade.
“Para nós, essa imposição do online não é um novo normal. Isso já acontecia, só que foi elevado a uma potência maior”. Dessa forma, toda a adequação da instituição e do corpo docente foi mais espontânea.
“Com relação às nossas ações, adequamos nossa meta referente aos trabalhos de sustentabilidade, com os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU. Já era proposta inicial de cada curso realizar um projeto que envolvesse um dos objetivos”, conta. A UVA também já tinha o movimento maker.
“Não paramos nada disso, apenas virtualizamos. Além disso, os professores receberam treinamentos e novas qualificações”, afirma. Segundo Beatriz, os alunos foram bastante criativos na oficina maker online.
“Utilizaram itens domésticos, materiais recicláveis e corantes naturais, como terra, jabuticaba e pó de café. Criaram aplicativos para ajudar a comunidade em risco e fazer os pequenos negócios se conectarem e venderem”, lembra. Entre os recursos, foram desenvolvidos podcasts, vodcasts, e-books e tutoriais.
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APOIO COMUNITÁRIO

“Ensinaram sobre alimentação na pandemia e ajudaram pais a lidarem com as aulas dos pequenos. Todos os cursos se juntaram para contribuir e resolver problemas”, ressalta. O apoio social também tem feito parte das realizações da UVA, segundo Beatriz.
“Abrimos consultórios de terapia para que as pessoas pudessem usar, tanto aluno como familiares. Disponibilizamos 80 vagas. No primeiro dia, 70 já foram preenchidas”. Além disso, os aprendizados da UVA passaram a estar disponíveis não só aos universitários.
“Permitimos que os familiares dos estudantes acompanhassem as aulas. Uma esposa de um aluno conseguiu aplicar ideias no salão que administra. A avó de outro aplicou alguns princípios de gestão na mercearia dela. Isso é mágico. A educação tem uma perenidade e elasticidade difíceis de serem mensuradas”, comenta, ressaltando como universidade e sociedade caminham juntas.
A Universidade Veiga de Almeida também produziu palestras e eventos online, a exemplo do UVA Talents, uma espécie de The Voice dos alunos. “Foi algo mais lúdico e muito legal. Tivemos mais de 50 inscritos, as vozes eram maravilhosas e foi difícil escolher um ganhador”, aponta.
Como tudo passou a ser digital, nesse momento, as celebrações importantes não fogem da regra, sabia? “Faremos até formatura online, vamos fazer uma sessão, mesmo, pela internet. Com beca, paramentos, leitura da ata e tudo mais”, conta.
A reitora e doutora chama a atenção para o fato de estarmos mais humanos, um dos efeitos da pandemia. “Estamos olhando para trás com tanta saudade do que deixamos, mas é importante ressaltar um pouco a humanidade, que ficou muito presente. Pudemos manifestar, pela primeira vez, que temos medo de algo, que somos frágeis e que a vida é um fio. Quando pensamos que daríamos conta dessas coisas, em pleno século XXI?”
Em sua reflexão final, a reitora lembra que a tecnologia tem sido e continuará sendo essencial, mas esse é o momento mais importante de reativar nossa humanidade. “A educação entra nisso. Ela precisa tornar as pessoas sensíveis para aquilo que é indizível, intocável, intangível, porque só pessoas educam pessoas.”
Para Beatriz, o ensino feito por pessoas e mediado por tecnologia deve preparar para o humanismo, a sensibilidade e a empatia. Essa, também, precisa ser a nova relação entre universidade e sociedade.
Gostou de ficar por dentro do papel da universidade na sociedade no novo normal? Que tal começar a pensar na sua educação digital? Entre em contato conosco, caso tenha dúvidas sobre algum processo!