UVA - Universidade Veiga de Almeida

Cursos de Graduação, Pós-Graduação, Mestrado e Extensão

Universidade Veiga de Almeida

Ligue para a UVA (21) 2574 8888


Acesso ao Sistema

Aluno
Professor
Esqueci a senha

Início > Notícias > Universidade Veiga de Almeida assina convênio com a Cáritas do Rio

Universidade Veiga de Almeida assina convênio com a Cáritas do Rio

08 de março de 2018

Cinco pessoas em condição de refugiados receberão bolsas de 100% para cursar graduações na UVA

A Universidade Veiga de Almeida (UVA) acaba de assinar um convênio com a Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro, instituição que atua há 40 anos na busca pela proteção e promoção social dos direitos de refugiados e solicitantes de refúgio. O convênio garante a concessão de cinco bolsas de graduação na UVA para pessoas que vieram para o Brasil em busca não só de refúgio, mas também de reconstrução da vida deixada no país de origem.

Oriundos da República Democrática do Congo, Gâmbia e Venezuela, os primeiros alunos que ingressarão pela parceria têm idade entre 23 e 49 anos e vão cursar Relações Internacionais, Fisioterapia e Ciências da Computação. O processo seletivo consiste numa triagem inicial da Cáritas, que inclui checagem de documentação exigida pelo Ministério da Educação (MEC) para matrícula no ensino superior, memorial descritivo, declaração sobre a escolha da graduação e entrevista pessoal com a equipe acadêmica da UVA.

“É função da universidade estar aberta às demandas da sociedade e do mundo. O ingresso dos cinco novos alunos não é somente motivo de orgulho para a UVA, é também a possibilidade de um rico intercâmbio de culturas para nossos alunos e professores”, afirma Carlos Eduardo Nunes-Ferreira, pró-reitor de Graduação. 

Aline Thuller, coordenadora do Programa de Atendimento a Refugiados da Cáritas do Rio de Janeiro, explica que “trata-se de uma iniciativa muito importante, porque contempla uma outra etapa da vida do refugiado. Existe, evidentemente, uma preocupação com as urgências do acolhimento, quando as pessoas chegam, mas é igualmente fundamental criar condições para que elas se integrem de forma qualificada no Brasil e, assim, reconstruam suas vidas com dignidade. Essa ação da UVA é um exemplo a ser seguido."

Novas seleções acontecerão todo primeiro semestre, ou seja, uma vez ao ano. 

Quem são os primeiros bolsistas do convênio:

Kabagambe Magbo Sammy, República Democrática do Congo. “A forma correta de ler meu nome é Sammy Magbo Kabagambe. Achei estranho quando cheguei no Brasil e todo mundo me chamava de Kabagambe”, explica ele, que está há sete anos no país. Em 2012, conseguiu terminar o ensino médio e desde então tenta ingressar no ensino superior. “Fiz vestibular para uma instituição privada e passei. O prazo final de inscrição era 31 de janeiro e dia 30 eu ainda não tinha dinheiro para pagar a primeira mensalidade. Estava em casa pensando no que fazer quando recebi a ligação da Cáritas - oh la la!!! - me comunicando sobre a bolsa da UVA. Gritei pelo celular: com certeza! Com certeza!”. Sammy vai cursar Ciências da Computação no campus Tijuca. 

Mariama Bah, Gâmbia. “No meu país, a cultura e as tradições são muito difíceis para as mulheres da etnia fula. Temos um lugar bem definido na sociedade: casar, ter filhos e cuidar da casa, somente. Não há a possibilidade de sonhar com uma profissão ou independência de ser e fazer o que você gosta”, diz. Depois de se casar aos 13 anos e ter uma filha aos 14, Mariama conseguiu fugir, em 2013, e chegou ao Brasil. “O mundo muda com educação. Sou uma jovem que luta há dez anos pelo direito à educação para mulher, sendo na África ou aqui”, diz ela, que escolheu cursar Relações Internacionais no campus Tijuca.

Oscar Orlando Santander Rodriguez, Venezuela. Advogado, ex-funcionário de uma empresa estatal venezuelana, Oscar veio para o Brasil há três anos com a esposa.  Hoje, o casal tem uma filha de 1 ano, carioca, como ele faz questão de dizer. “A minha escolha pelo curso de Relações Internacionais é por ser uma carreira que tem muito a ver com a minha primeira formação, que

poderei complementar aos meus conhecimentos em Direito e, assim, conseguir retomar a minha vida como profissional e melhorar a vida da minha família”, explica. Ele estudará no campus Barra. 

Isamar Andreína Suárez Suárez, Venezuela. Ex-atleta de alto rendimento de Rugby, defendeu a seleção venezuelana por cinco anos, tendo participado de diversos jogos, até o Pré-Olímpico de 2015 na Argentina, lutando por uma vaga nas Olimpíadas de 2016. “Ao longo dos anos em que estive na seleção, tentei retomar os meus estudos, mas não foi possível porque as universidades públicas estavam em greve, além de sofrerem ataques violentos”, lembra. Após a necessidade de uma cirurgia no joelho direito, foi dispensada da seleção, ao mesmo tempo em que a situação no país se agravava. Decidiu vir para o Brasil para recomeçar e poder ajudar a família, ainda na Venezuela. “Não quero mais parar de estudar, quero fazer pós-graduação, mestrado... Quero ser uma grande profissional”, afirma. Isamar vai cursar Fisioterapia, no campus Tijuca. 

Ana Maria Guerra Herrera, Venezuela. “Vim para o Brasil com um dos meus filhos (ela também tem uma menina, de 22 anos, já mãe e que decidiu permanecer no país) e duas malas. Não posso mais voltar à Venezuela”, diz Ana, que chegou ao último período de graduação em Engenharia Mecânica e era ex-funcionária de uma estatal. “Vou recomeçar minha vida no Brasil aos quase 50 anos. E se é para recomeçar, vou recomeçar do zero”, explica, para justificar a escolha pela graduação em Fisioterapia. Ana também estudará no campus Tijuca.

fotos da galeria