Como professora de Redação em Jornalismo Impresso, o que tenho a dividir são algumas reflexões. Qual é, afinal, o papel dos veículos de papel nesta nova era informacional, dominada pela informação eletrônica e digital? Que função cabe aos jornais, que perderam a prerrogativa do fato bruto, na sociedade da convergência dos media? E qual é o papel do jornalista neste novo cenário?
A história tem mostrado que o surgimento de uma nova mídia não aniquila necessariamente as anteriores, desde que estas descubram seu novo papel e se adaptem às exigências do público. Autores de várias vertentes têm opinado a respeito, mas todos concordam que a nova imprensa precisa incorporar dimensões mais sofisticadas para tornar compreensível um noticiário cada vez mais complexo. Ou seja, os impressos precisam oferecer algo que o público não encontra em outros veículos.

Para assegurar seu espaço junto aos demais meios, cabe ao jornal do presente investir naquilo que o leitor espera encontrar nele: texto original, interpretativo e analítico, que ofereça as implicações e possíveis repercussões dos acontecimentos na vida de cada um. Seja como for, para que os impressos possam fazer frente às novas demandas de informação que surgem todos os dias, é preciso investir ainda mais na qualificação do profissional de comunicação. Bombardeado de informação por todos os lados, o homem contemporâneo ainda precisa de um profissional – o jornalista qualificado, bem formado e bem informado, claro – que possa selecionar, mediar, relacionar e contextualizar os acontecimentos do mundo e oferecê-los a ele em um relato consistente e compreensível.
Ou seja, ainda que, no futuro, as previsões dos que vaticinam o fim dos impressos como os conhecemos se concretizem e a folha de papel seja definitivamente substituída pelo cristal líquido de um papel eletrônico ou por uma das mídias digitais à disposição do público, há pelo menos uma razão para acreditar que receber informação diária de forma completa e contextualizada continuará sendo uma necessidade: o ser humano precisa, desde que deu o primeiro passo em sua trajetória como ser social, de informação para sobreviver e posicionar-se no mundo. Por isso, seja em que suporte for, será cada vez mais necessário um profissional capaz de capturar a imensa gama de informações disponíveis no mundo, de organizá-las de maneira competente, contextualizada, coerente, criativa e ética, e de oferecê-las ao público com um conteúdo relevante e uma forma prazerosa. Essa é a nossa tarefa. Vamos a ela!
Maristela Fittipaldi – Doutora em Comunicação e Cultura (UFRJ) e professora de jornalismo (UVA)