Milton Gonçalves, um ícone da luta contra o preconceito. Nasceu na cidade Monte Santo, Minas Gerais, em 9 de dezembro de 1933. De origem simples, os pais catadores de café resolveram ir para a capital de São Paulo, onde se tornou pedreiro e a mãe, empregada doméstica em busca de uma vida melhor. Milton pouco pode estudar, mas sempre foi inteligente e bem atento. Começou a trabalhar cedo, passando por diversas profissões. Ainda criança foi babá, depois aprendiz de sapateiro, aprendiz de alfaiate e gráfico, até que um dia ao imprimir alguns programas para uma peça de teatro, ganhou duas entradas. Foi amor à primeira vista. Milton já conhecia cinema, mas ao teatro não. Foi aí que pensou: “Eu posso. Eu também quero fazer isso”. E foi assim que sua vida no mundo da interpretação foi concebida.
Ainda jovem Milton Gonçalves conseguiu um papel numa peça para adultos chamada “O dote”, onde conseguiu o papel de um escravo. E foi atuando nesta peça que o taumaturgo Gianfrancesco Guarnieri o assistiu e gostou. Logo após foi para o “Teatro dos Novos Comediantes”, depois para o “Teatro de Arena” onde estavam os grandes da época como: Guarnieri, Lima Duarte, Chico de Assis, Riva Nimitz e Augusto Boal. Esta foi a época que influenciou decisivamente o artista. Toda a série de Arena conta, “Arena conta Zumbi”, “Arena conta Tiradentes”, além de grandes sucessos como: “Eles não usam Black Tie”, foram frutos desta época. Eram também feitos cursos de interpretação, de dramaturgia, o que deu a Milton uma ampla visão do teatro e o transformou em um profundo conhecedor da profissão.
Sua história com a TV deu início na Tupi de São Paulo, mas não deixou o Teatro. E, além disso, entrou também no ramo da sétima arte. Na época da Revolução de 1964 foi perseguido, não morreu por pouco, mas chegou a ser metralhado, quando fazia “Grandes Sertões Veredas”. Logo após foi para a TV Globo quando essa ainda era inaugurada. Milton faz parte do seleto grupo de 50 pessoas que está na emissora, desde o início. Ele foi e, é sem dúvida um ator ousado, em sua ficha constam novelas como, “Véu de Noiva”, “Um Homem que Deve Morrer”, “Selva de Pedra”, “Carga Pesada”, “A Grande Família”, “Baila Comigo”, “Pecado Capital”, “Irmãos Coragem”, “Anjo de Mim”, e muitos outros trabalhos, entre novelas, mini-séries e Casos Especiais. E não atuou somente como “escravo” e “empregado”, papéis importantes de grandes destaques como doutor, médium, político, entre outros.
Para os poucos que não sabem, Milton Gonçalves também trabalhou como diretor. Foi ele quem dirigiu a novela que mais teve notoriedade em todo o mundo “Escrava Izaura”. Sempre respeitado e querido, ganhou muitos prêmios. Se destacando no cinema onde foi mais premiado. Com o filme “A rainha diaba”, por exemplo, ganhou os quatro principais prêmios que existiam em 1974. Fez ao todo, mais de cem filmes, com papéis grandes e pequenos. Participou também de Macunaíma, e contracenou com muitos artistas estrangeiros, como Jacqueline Bisset, Raul Julia e outros.
Casado há 33 anos com dona Oda, Milton Gonçalves tem três filhos. É religioso e frequenta o candomblé, além de ser ativo na política (filiado ao PMDB). Foi porta voz das “Diretas Já”, ao lado de Osmar Santos. E sempre esteve nas lideranças políticas, pois acha que sua obrigação, como cidadão, é lutar por um Brasil melhor, ele que o conhece bem, pois foi operário e é negro. Parabéns Milton por esta trajetória fantástica!